Irmã lembra da dor de Jimmy em missa de sétimo dia

Missa de sétimo dia da família Belota

Por - 27/01/2013 22h43 Imprimir

 

Manaus - “A dor dele (Jimmy) é muito maior que a nossa”. A afirmação marcou a manifestação de Jamille Brito-Merbach durante a missa de sétimo dia realizada em memória da tia dela Maria Gracilene Belota, 59, e da prima Gabriela Belota, 26, assassinadas à mando do publicitário e irmão, Jimmy Robert de Queiroz, 30, na última segunda-feira, que confessou o crime. O ato religioso reuniu centenas de amigos, colegas de trabalho e de faculdade, além de familiares na Igreja de Nossa Senhora das Graças, Beco do Macedo, zona centro-sul de Manaus, na manhã deste domingo.

 

 

A missa de sétimo dia em homenagem a Roberval Roberto Brito, 63, também assassinado à mando de Jimmy na madrugada da última terça-feira, será celebrada nesta segunda, na Igreja São Raimundo Nonato, na Rua São Tomé, bairro São Raimundo, às 19h.

 

A celebração feita à Maria Gracilene e Gabriela Belota começou por volta das 10h25 e contou com cânticos, orações e leituras da Bíblia. Os parentes e amigos não conseguiam conter as lágrimas a cada homenagem feita.

 

 

Jamille Brito-Merbach, irmã de Jimmy e filha de Roberval, foi quem falou por último, e a que mais emocionou os presentes. Visivelmente abalada, ela falou da importância que Roberval, Maria Gracilene e Gabriela Belota tinham para ela como família.

 

“Há dois anos perdi minha vó, há alguns meses minha mãe. Minha tia Gracilene era como uma mãe pra mim, fazia de tudo por mim e cuidava do meu irmão por mim”, disse. Ela reforçou que durante o momento em que a mãe ficou doente, era a tia e a prima quem cuidavam da mãe. “Foi a Gabi que beijou a minha mãe no último momento dela. Sem minha mãe, minha prima e meu pai eu não teria conseguido”, contou. Jamille também destacou que mantinha contato diário com os parentes.

 

 

Durante o ato religioso, Jamille Brito-Merbach fez questão de falar sobre o afeto que o pai e a tia nutriam por Jimmy. “Eles amavam o Jimmy e eu da mesma maneira”, afirmou. Ela também falou sobre perdão. “Tenho certeza que meu pai, minha tia e minha mãe perdoariam o Jimmy, como eles sempre fizeram. Meu irmão irá pagar pelo que fez na justiça dos homens. Mas espero que na justiça de Deus ele também seja perdoado”, disse em lágrimas.

 

A cerimônia também contou com a homenagem dos colegas do curso de Odontologia que estudavam com Gabriela na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e representaram a instituição. “Estudei com ela na escola e tive o prazer de encontrá-la na faculdade. Ela era como um arco-íris, linda, alegre, brincalhona, respeitosa com os mestres, esforçada, cativante”, disse a odontóloga Gabriela Sá, 26, durante o discurso.

 

 

O estudante do 10º período de Odontologia da UEA, Anderson Idelfonso, 24, também amigo de Gabriela na faculdade, reforçou a alegria e o carinho que a universitária dispensava aos pacientes. “Ela gostava muito da profissão. Era alegre, educada e carinhosa com os pacientes”, disse.

 

O superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Thomaz Nogueira, destacou que Maria Gracilene era conhecida pela bondade, generosidade e empenho no trabalho. “Tivemos orgulho de ter a Gracilene como nossa colega de trabalho”, disse Nogueira.

 

A colega de trabalho e servidora, Silvia Melo, disse que Gracilene era uma funcionária muito dedicada. “Foi minha primeira chefe na Suframa, mas com pouco tempo vi uma mulher bastante firme, alto astral e que lutava pela ZFM (Zona Franca de Manaus) no exterior”, declarou.

 

A ex-superintendente da Zona Franca, Flávia Grosso, também acompanhou a cerimônia e emocionada, abraçou o pai de Gracilene, Benjamin Brito, de 87 anos, conhecido como ‘Seu 40’.

 

 

Ao som de uma música religiosa, parentes e amigos foram as lágrimas e saudaram as vítimas com palmas. A missa terminou por volta de 11h35 com os familiares recebendo o conforto dos amigos, entre eles o pai de Gabriela, coronel do Corpo de Bombeiro, Mário Belota.

 

Entenda o caso

 

A coordenadora geral de Comércio Exterior da Suframa, Maria Gracilene e filha dela, a universitária Gabriela Belota, foram encontradas mortas por volta das 7h30 do dia 22 na casa onde moravam no Parque Solimões, Rua Ayres de Almeida, bairro Raiz, zona sul de Manaus.

 

Segundo informações do Instituto Médico Legal (IML), Gracilene foi espancada e estrangulada no corredor do apartamento. Gabriela foi asfixiada com um saco plástico e estava na cama dela quando os policiais chegaram. O cão de estimação da universitária, ‘Rick’, da raça Yorkshire, também foi morto e pendurado na parede.

 

 

Já Roberval foi encontrado morto na casa dele, na Rua Rego Barros, São Raimundo, com um corte profundo no pescoço.

 

Jimmy Robert confessou ser o mandante do triplo homicídio em depoimento na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na última quarta-feira. Durante a confissão, Jimmy informou que matou o pai para receber a herança avaliada em R$ 200 mil. Ele disse que a tia e a prima foram assassinadas porque desconfiariam do envolvimento dele no crime e poderiam dificultar o acesso ao dinheiro.

 

 

As ações foram efetuadas pelo namorado de Jimmy, Rodrigo de Moraes, 19, e Ruan Pablo de Magalhães, 18. Os três estão presos e isolados, após ameaças de morte.

Irmã de Jimmy, Jamille Brito-Merbach se emocionou durante a missa. Foto: Tiago Correa

 

 Seu 49 não se conteve durante a missa Foto: Tiago Correa

 

 

Foto: Tiago Correa

 

Pai de Gabriela, coronel Belota se emocionou Foto: Tiago Correa

 

Foto: Tiago Correa



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